Então é isso, parece (e é) controverso mas quem me conhece sabe que não ostento esse estereótipo de surfistona ou maria-parafina. Apesar de trabalhar na área.
É complicado essa imagem, a ideia de surfista. Logo se imagina uma pessoa loira, sarada, bronzeada e burra (já que fica o dia inteiro na praia e só pensa em swell/vala/as gostosas/prancha/panos/uhul/demorou/éissoaí/vamoaê/énóis/4:20!). Moro na cidade cinzenta, trancanda num escritório e, por isso, meu bronze é de paçoca (ou melhor, de planilha). Sem contar que não fico o dia inteiro na academia exercitando os músculos glúteos.
Pra mim o surf sempre se resumiu à energia do mar e a questão da superação de mim mesma. Porque eu sempre temi o poder do oceano. Então, o esporte foi um meio para enfrentar o que, na verdade, é um baita trabalho psciológico.
Mas a vida me ensinou que não é só no mar, com uma prancha envolta dos braços e uma cordinha presa ao calcanhar, que eu passo por perrengues e quase afogamentos. A vida é um mar de pessoas, oportunidades, sensações, pensamentos, ideias e vem tudo junto, num tremendo caldo. Tem que ser dusurf, porque se vacilar, roda.

Essa metáfora que eu faço é linda, mas poucas pessoas são capazes de entender. Eu cansei. Cansei de ter que me explicar, cansei de ter que me preocupar com o que o outro acha ou deixa de achar sobre o que eu sou, faço, penso. A minha paixão e vontade de sentir a potência que vem lá das profundezas (tanto do oceano como do ser humano) não vai deixar de existir em mim.
O problema é que chega uma hora que a gente sente a necessidade de mudar. E é isso. Quem acompanha o blog há mais tempo pode perceber que eu mesma mudei muito. O teor das postagens, as pautas, abordagens... acontece naturalmente.

Pra você que me entende (ou que faz um esforço) eu convido a visitar e frequentar a nova casa. Porque é assim, como os amigos sorridentes da foto aí em cima, satisfeitos por terem se superado mais um dia e prontos pra outra, que eu me sinto.